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Sábado, 26 de Abril de 2008

Biocombustíveis e melhoria de renda

Hoje quando estava vindo da faculdade, ouvi na rádio, a ‘Hora do Brasil’, e percebi que há algumas tendências que começam a serem exploradas pelo governo em consonância com o pensamento de pessoas que transparecem importância, como cientistas.
No último dia 17, quando estive presente no Seminário Fluminense de Biocombustíveis (prévia do Panambio 2009, que será realizado na Uff), percebi duas intenções explícitas nos discursos dos cientistas palestrantes. A primeira era a criação de uma espécie de empresa nacional dos biocombustíveis. A segunda estava centrada na agricultura familiar para o cultivo de oleaginosas.
Quando hoje ouvi na rádio sobre a intenção do governo em investir na agricultura familiar, incentivar o aumento da produção de biocombustíveis, aumentando gradativamente, até 5%, a inclusão de biodíesel no diesel comum (até 2010), fiquei surpreso em perceber que o governo está alinhando suas metas de acordo com desejos dos pesquisadores da área, pelo menos em relação os que estavam presentes no seminário.

Com a agricultura familiar, diziam os palestrantes, “famílias pobres podem alcançar renda extra”, fazendo com que dois objetivos importantes para o Brasil possam ser, de certa maneira, ‘alcançados’ simultaneamente: melhoria na distribuição de renda e acréscimo na produção de biocombustíveis.

Atualmente, há uma tendência de crescimento das incertezas e preocupações quanto ao futuro do mundo em relação ao aquecimento global e suas implicações na economia mundial. Com a população aumentando, a renda melhorando, o mundo precisa de mais energia e comida. A crise energética alavancada pelo aumento do preço do barril do petróleo (que hoje está custando por volta de U$ 120) e a inflação no preço dos alimentos, onde pessoas importantes de países ricos lideram críticas contra as plantações destinadas à produção de biocombustíveis, geram ainda mais insegurança. Mesmo com todos os problemas, escassez de fontes energia e alimentos, o Brasil assume posição estratégica. Além das descobertas de novos campos de petróleo e gás (diga-se de passagem, divulgaram Tupi e Júpiter na bacia de Santos, no litoral do Rio de Janeiro, porém, também há descobertas no mar do Espírito Santo e no litoral do Nordeste, entre outras, isto tudo liberado em publicações oficiais, dentre revistas e palestras), o Brasil tem grande potencial na produção de biocombustíveis e continua sendo grande produtor de alimentos. O número de terras não utilizadas para nenhum fim, seja para alimentos ou plantação de oleaginosas, pode ser muito maior do que se pensa.
É provável que a produção de biocombustíveis possa influenciar na produção de alimentos. Há muita discussão em torno do assunto, pois, percebi todo o cuidado de alguns palestrantes em se tratar do assunto, porém vejo de maneira otimista as possibilidades de melhorias, trazidas à tona no evento, para o lado social. A implementação da agricultura familiar pode gerar renda para famílias excluídas, o que sempre será desejável para um país que deseja ‘melhorar’ a distribuição de renda e isto é um bom começo. De certa maneira o Brasil deve se manter ainda por mais um tempo, num patamar de tranqüilidade quanto ao balanço de produção e consumo de energia. Terras o Brasil tem de ‘sobra’ pra produzir o que quer.
Desta vez estou acreditando nas falas e propostas, porque não vi políticos falando. Pelo que vi e ouvi no seminário parece que temos chances de encontrar um caminho interessante para o crescimento.

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Domingo, 20 de Abril de 2008

Um texto interessante

E aí pessoal, tudo blz?

Estava navegante pela net e encontrei um texto interessante. Fala sobre o problema do jabá, a compra dos canais de distribuição de música e tudo mais... Dêem uma lida..

abs

Retrospectiva - Sobre o Jabá
O Estado de S. Paulo - 17/4/2008 - Por Mauro Dias - Junho 1999
Site Digestivo Cultural

A música brasileira entrou num impressionante processo de decadência. Errado. A música brasileira continua boa como sempre. Há grandes compositores, cantores, instrumentistas. Mas não é possível dizer que estejam em atuação. Tentam atuar. Não têm onde. Tentam viver da arte – tolice. São dentistas, fiscais do INSS, professores, motoristas de táxi, balconistas, colunistas de jornais – essas atividades garantem a sobrevivência. Tomam tempo – a criação artística, que é a atividade principal (estamos falando de artistas) acaba sendo deixada para as horas possíveis. A música brasileira que toca nos rádios, na televisão, nos grandes palcos, nos estádios, nas festas de São João, no carnaval, nas convenções de criadores de gado é que está em decadência. E só ela que aparece. A outra música, a boa, existe, mas não aparece. A culpa é dos radialistas, dos que montam trilhas sonoras de televisão, dos executivos das gravadoras, dos produtores de discos e espetáculos, dos marqueteiros da indústria de entretenimento. Essa gente criminosa está transformando, conscientemente, coração em tripa. É responsável pela seleção do que você ouve e deixa de ouvir. Essa gente está assassinando o que há de mais rico em nossa produção cultural. E ganhando muito, muito, muito dinheiro. É essa a idéia. Ganhar dinheiro, e dane-se o resto. Um disco, na indústria, não é chamado de disco, mas de "produto". O produto precisa vender. Para que o produto venda, precisa ser exibido. Até agora, apenas regra de mercado, nada demais. No entanto, para que seja exibido, paga-se ao exibidor – ao programador de rádio, ao apresentador de programa de auditório televisivo. Como são muitos, os produtos, sobe o cachê do exibidor. É uma prática antiga, tem até nome: jabá. Paga-se o jabá para que a música toque, sempre foi assim. Mas o mecanismo perverso foi ficando mais perverso. Quem pode pagar mais, consegue maior número de execuções. Isso é reproduzido no País inteiro. Quem pode pagar mais, escolhe o que você vai ouvir. E você fica achando que é só aquilo que se produz de música. Porque é só aquilo que está ao seu alcance. Quem não paga, não toca. Não existe. Há alguns anos, uma igreja evangélica comprou a rádio FM Musical, de São Paulo, capital. Era uma rádio que só tocava música brasileira. Praticava o jabá, como todas, mas como a audiência era menor, o preço era menor. O que permitia o acesso às ondas sonoras a alguns artistas menos conhecidos – os tais que são dentistas ou fiscais do INSS. Às vezes, até sem pagamento de jabá programava a execução deles. Misturava um pouco de "música de mercado" e de música de verdade. Talvez por isso não tenha resistido. Nota do Editor Texto gentilmente cedido pelo autor. Publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo em junho de 1999.

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