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Letras

  1. Nosso rumo só
  2. Terras e chão
  3. Castelo e Vizinhança
  4. Meu amigo
  5. Do jeito que pensei que não fosse
  6. Palavras
  7. Um dia após
  8. Tudo que seja
  9. Madrugada
  10. Dois planos

 

Nosso rumo só
(Fábio Sarret)

Minhas idéias confusas
Na mesma história maluca
Desviam nosso rumo só
Me deixam um pouco suspenso
Um pouco lento e suspeito
Pra tudo que possa acontecer

Você me diz o que quer
Eu já pensei em esquecer
aqueles dias insanos,
Mas sempre voltam
e ficam congelados

Meu dia meio completo
Me deixa ver
Meu meio turvo deserto
Me deixa ser
Meu rastro sem razão

Você sumiu outra vez
Não aparece em nenhum lugar
Não cabe em nada ruim
Mas continua sem fim
Na mesma casa escura

Excesso cura o excesso
loucura excede a loucura
Mas tudo bem
Finjo esquecer

Eu lembro o que você fez
Eu lembro o que você disse
Amanhã eu posso até deixar o lenço branco cair
Eu lembro o que você fez
Eu lembro o que você disse
Eu lembro não espero chegar ao mesmo destino

Me esqueci do que quero
Meus dias foram sinceros
Me deixa ser
Agora um pouco insensato
Me deixa um pouco de lado
Pra esquecer

A vida sempre confusa
Brincando solto na rua
Nem vi passar
Nem vi passar
Finjo esquecer

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Terras e chão
(Fábio Sarret)

Às vezes sinto que eu quero mudar
E faço tudo que eu quero fazer
Sigo em frente
Eu não sei onde estou
Pra onde vou?

É desperdício
Ficar pensando
Em tudo que me faz mal

E mesmo assim
Eu saio andando
Sumindo entre terras e chão

Recomeço contido e intenso
No destino que sou
Mesmo nestas tardes estranhas
Em que me calo por nada a favor

É desperdício
Você com medo
O futuro ainda não passou

É o mesmo fim
Do teu desejo
Perdido entre guerras em vão

Tantas pedras vou encontrando
No caminho que vou
Mesmo assim
Eu saio andando
Sumindo entre terras e chão

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Castelo e vizinhança
(Fábio Sarret)

Estamos segregados misturados
Um pouco intimidados pela fúria do mau tempo
Um tanto enclausurados de receio no que temos
Estamos assustados pelo medo do que somos
Estamos proibidos do juízo
Estamos omitidos na justiça dos maus tolos

Estamos com a ilha do tesouro
Estamos financiando a nossa própria insegurança
Estamos limitados pelas águas escondidas
Usamos do veneno
Nossa pobre hipocrisia
Estamos segregados misturados
Estamos segregados

Nada mais vai impedir
O teu castelo ruir
Nada mais vai impedir

Estamos segregados misturados
Um tanto distanciados nos retratos e no tempo
Um pouco enclausurados por poder o que não vemos
Estamos assustados por saber o que não temos
Estamos proibidos do juízo
Procura-se assinatura em nossa identidade

Refrão

Não pude ouvir
O que você me disse
Ainda sou o mesmo
Não pude ouvir o que você me disse
Ainda estou no mesmo lugar

Refrão

Estamos segregados misturados
Um tanto endividados
Sem saber o que perdemos
Há tempos desarmados pro controle de nós mesmos
Estamos vigiados, nossa mente e nosso medo
Estamos proibidos do juízo
Lá fora passa o filme da mudança que não vemos

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Meu amigo
(Fábio Sarret)

Meu amigo
Estou mudando minha cultura
Estou andando noutras ruas
Caminhando para compreender

Meu amigo
Estou num estado transitório
Estou indo num cartório
Registrar um outro nome qualquer

Meu amigo, meu amigo
O que você está dizendo?
É o que sempre eles vêm me responder

Meu amigo
Estou garimpando outras verdades
Pois verdades são senhoras
Irritadas com o tempo

Meu amigo
Estou de novo neste bar
As mesmas coisas estão lá
Minha vida vai passando
E parece que não há como mudar

Já li muitos desses livros
Pelo jeito que as coisas estão
Vou ficar mais uma vez sem opção

<< voltar

Do jeito que pensei que não fosse
(Fábio Sarret)

Não quero mais te ver aqui
Também não vou correr
Não quero mais ficar e te ter

Não sei se tudo é tão bom
Não quero mais ficar no tom
Não quero mais esperar por você

Pois eu sei
Que você é
Do jeito que eu sempre pensei
Que não fosse ser

Você é
De um jeito tão anormal
Não quero mais ficar
Ficar com você
Do meu lado assim

Você não lembra, mas eu sei pra onde vou
Você não sabe mas eu sei onde eu estou

Não vou
Ficar aqui
Já sei o que é bom e o que é ruim
Mas não mais fico aqui
Não mais

Você não sabe bem porquê está
e onde vai ficar

Pois bem
Eu vou dizer
Tudo que eu penso
Sem você

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Palavras
(Fábio Sarret)

Fale o que quiser
Fale tudo ou nada
Curtas
Desculpas
Mentira
Oculta
Palavra

Fale o que vier
Fale até sem ter
Longas
Esguias
Sem corpo
Vazias
Palavras

Aproveite enquanto podem te ouvir
Aproveite enquanto isso estou aqui
Em palavras

Meu amor eu sinto muito
Não posso compreender
Está tão longe e tão perto
Que não posso enxergar

Meu amor eu sinto muito
Não posso compreender
Está tão longe e tão perto
Que não posso enxergar
Palavras

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Um dia após
(Fábio Sarret)

A luz do sol
Ilumina meu rosto
Maltratado
Pela insônia
É hora de levantar
E olhar a tua foto no armário
Que ainda
Fica aberto...

Meu corpo tão cansado
Parece tão distante
Como folhas
Da planta ao chão
Tomo um café
E rumo pro trabalho
E nada consigo fazer

E eu aqui sentado
Ouvindo outra canção
Ia esquecendo as chaves da casa no portão
Lembrava de você


Teus olhos
corpo e coração
Num adeus
E as chaves da casa no meu bolso...

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Tudo que seja
(Fábio Sarret)

Eu não vou ficar calado
Eu não vou ficar de lado
Tão utópico e secreto
Do jeito que andei

Eu não posso me despir
Das palavras que citei
Nem tampouco te mostrar
O que você não pode ver

Não vou buscar
Pedras sem valor
Pra te consolar

Não vou andar
Em terras que eu não estou
Só pra te agradar

Talvez esteja aqui
Tudo que seja melhor para mim
Talvez eu tenha aqui
Tudo

Talvez esteja entre nós
Tudo que seja
Agora ou após
De vez em quando é só
Nada

Eu não posso te despir
Das promessas que eu te falei
Nem tampouco te provar
O que você não pode ter

Eu não vou ficar calado
Eu não vou ficar de lado
Tão utópico e secreto
Como eu andei

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Madrugada
(Fábio Sarret)

Noite vem
Com muito pra dizer
O que ainda restava guardado em mim
Logo mais
me vejo contente em esquecer
O que mais novo iria valer
E você se sentindo um tolo
Por saber que não era mais o mesmo

Dia vem
Volto pra casa
Você se viu atrelado aos seus controles
E se perdeu
Pela noite
A caminho de casa
Com um copo vazio na mão
Cabeça e mente no chão

Uma idéia vem como absurdo
Nesta estrada
Sou nada
Sou mudo
Cada passeio em sua madrugada
Sempre inundado de tanta chegada

Vem teu momento
Vem noutro segundo
E todo dia vai vagando em nosso rumo
Vem outra idéia
Vem
Hora exata
Noutra estrada
Sou mudo
Sou nada

Outra vez
Me convenço que o mundo gira mais veloz
Retrato disperso
Leva embora outro dia
E você vagando ao acaso
Só por não mais tentar
Outro passo soando em vão
A mente fluindo a tua solidão

Outra idéia vem como absurdo
Nesta estrada
Sou nada
Sou mudo
Cada passeio em sua madrugada
Sempre inundado de tanta chegada

Vem teu momento...

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Dois planos
(Fábio Sarret)

Um plano teu
A minha mira
Se encontram no espaço
Desigual
Onde estou quieto
Por não ter o que dizer
Por não ter palavras exatas
Corpo vibra e chora
Tempo passa por mim
Estou perdido no mundo
Agora sei

Cadê o teu desejo?
Não esconda de mim
Onde está você?
Quando olho no teu rosto

Talvez você esteja
Perdida
Dentro de mim
Perto de nós

A tua vista distante
E o meu olhar
Se encontram no espaço
Desigual
Onde estou incerto
Por não ter o que dizer
Por não ter palavras sensatas
Corpo vibra e chora
Você passa por mim
Estou perdido no mundo
Outra vez

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